Igreja no Largo do Paissandu
Como se chama aquilo que atrai e repulsa, que fascina, mas mete medo? Quando eu era bem criança, tinha uma professora que me provocava essa sensação. E hoje, passeando pelo centrão centrão de São Paulo, dei por mim entendendo que a Praça da República e o Largo do Paissandu, por exemplo, ao mesmo tempo que me convidam a olhar, a desvendar, me lembram a todo momento que eu não pertenço àquilo ali. Nem andando nas calçadas, entre as gentes, seria capaz de me misturar à multidão, anonimamente e de forma que um outro alguém, passando ali e olhando pela janela do ônibus, pudesse me ver sem me ver de fato.
Não sei até que ponto não pertencer é uma decisão minha (também não me sinto misturada à Oscar Freire, mas nesse caso, por convicção mesmo), ou até que ponto o pertencer nasce com a gente e se manifesta, sem que haja muito controle. Há pouco escrevi para uma amiga no Facebook que eu e ela somos
turistas aqui em São Paulo, ambas cariocas. Então vemos isso aqui com olhos estrangeiros e um tanto agradecidos. Tem uma beleza aqui que os de dentro nem sempre veem... Mas o olho do turista também sente que por mais que se encante, há algo que não se alcança. E, por vezes, dói.