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domingo, 3 de março de 2013

DOMINGO PARA COMER

Cozinhar, para mim, está ligado diretamente a meu estado de espírito. É um termômetro mesmo. Se perco a vontade de ir enfrentar os ingredientes e me aborreço com a alquimia, é porque a coisa vai mal para o meu lado. Hoje, no entanto, é daqueles dias que acordei virada na mamma. Filhos não dormiram em casa e levantei animada a fazer um banquete para recebê-los de volta. Então, cedinho, o pão de queijo foi para o forno. Já saiu e já está perfumando a casa. Também já comecei a arquitetar o almoço e o lanchão da tarde (para não precisar fazer jantar). E, atualmente, vivemos fases diferentes na alimentação. Os meninos comem comida que agrada paladar de criança - e o marido também - e não têm nenhuma restrição. Eu, ao contrário, abri mão do excesso de carboidrato e ando encantada com saladas no pote e tortas de vegetais.

Assim, ficou da seguinte maneira: Almoço: Galeto no saquinho de assar; rondeli; torta de abobrinha com ricota, salada verde. Vou preparar a ave e a torta e coloco aqui para ver o que dá! Guenta um pouco! 



TORTA DE ZUCCHINI COM RICOTA (Aqui em casa, para diferenciar a abobrinha sem graça da abobrinha saborosa, a gente chama a segunda de zucchini, em homenagem aos italianos)

 INGREDIENTES
2 abobrinhas raladas
1 pacote de ricota (usei light, mas pode ser a normal também)
1 ovo sal, pimenta do reino, nós moscada, salsinha e cebolinha a gosto (e eu botei pimenta biquinho sem semente também)

MODO DE PREPARO
Misture tudo e leve ao forno para assar por 40 min ou até que fique dourado.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

ERA SÓ UM MACARRÃO DE DOMINGO

Isso aqui tinha um cheiro...

A gente tinha acabado de voltar de um lauto banquete na casa da minha mãe. Um bacalhau às natas, em homenagem à minha viagem por Portugal. Mas já eram 19h e as crianças precisavam jantar. Ok, mentalmente comecei a fazer o percurso dos armários da cozinha imaginando que alquimia podia dar.

Encontrei macarrão. E avisei que seria macarrão. A recepção foi calorosa. Aí mentalmente fui para a geladeira. Manteiga de boa qualidade, tomates maduros e - ahhhhh! - linguiça calabresa defumada, comprada no intuito de virar feijoada, mas alçada, naquele minuto, à condição de estrela do macarrão do domingo. Mas isso eu não contei, seria uma surpresinha.

Comecei picando a cebola grosseiramente. Enquanto ela derretia junto com a manteiga e ia se tornando transparente, piquei o alho minusculamente e o tomate em pedaços largos. Assim que a filha saiu do banho e acusou o cheiro de cebola fritando na manteiga, era o ponto exato de juntar a ela tomate e alho. Deixei apurar um pouco ao mesmo tempo em que cortava a linguiça em quartos de círculo. 0,5 centímetro é a altura certa da fatia de linguiça. E, sim, isso faz toda a diferença. Foi uma calabresa inteira para a caçarola. Fritou um pouco junto com os outros ingredientes e ficou lá dentro da panela esperando o molho reduzir.

A água já fervia, o macarrão submergiu delicado, se entregando aos poucos ao calor. Ganhou sal e fez o trabalho lentamente. As borbulhas da água do cozimento da massa marcavam o chão e a essa altura apaguei o fogo do molho. Sempre acho que o molho deve descansar depois da intensidade a que é submetido. Afinal, ele precisou alcançar o pico do sabor em pouco tempo. Enquanto o macarrão terminava a caminhada para chegar ao ponto, coloquei - escondida - uma pitadinha de pimenta rosa desidratada no molho e mexi, bem suave. A ideia não era deixar ardido por igual, era oferecer pequenos teritórios de ardidura, encontrados pela língua assim, meio por acaso, como uma surpresa sorrateira.

Virei o macarrão na travessa, molho por cima e aí aquela tarefa de harmonizar o design do prato. Um tomate para cá, duas linguiças ali do outro lado e, voilà! Juro que era para ser um macarrão de fim de domingo... mas foi impossível...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ADORÁVEL CIDADE

Os derrotados que me perdoem, mas há uma São Paulo comovente de tão humana, que caminha totalmente na direção contrária da pressa, da competição, do desprezo completo ao concidadão no carro ao lado, ou na faixa de pedestres logo ali na frente. No último domingo estive no Centro Cultural São Paulo. Fui assistir junto com a filha a peça Canção de amor em Rosa, um espetáculo infantil todo amarrado com as músicas de Noel Rosa, o Poeta da Vila. Mas não foi a peça que aquietou meu coração. Ela foi só a cereja do sunday.

Tudo começou antes, na chegada ao CCSP. Vários monitores de colete vermelho atenderam a gente calorosamente e, creiam!, sabiam dar as informações. O ingresso era baratinho, não tinha fila na bilheteria e os dois atendentes eram muito bem humorados. Enquanto a porta do teatro não abria, fui passear com a filha. Gibiteca, biblioteca, exposições e, mais importante, GENTE! Gente passeado, gente estudando, gente lendo, gente dançando (sim! sabe os b-boys? as meninas que dançam street, então!) e gente matando o tempo calmamente no domingo bem ensolarado e quente. Simples assim.

Um monte de velhinhos, um monte de crianças e muito espaço para circular. Lanchonete quase sem fila e um teatro muito confortável. De quebra, vimos o Nasi, ex-Ira, ensaiando com sua banda nova e emprestando os acordes para os dançarinos do piso de cima. Foi uma festa para os olhos, para os ouvidos e para aquele gosto amargo que às vezes a gente cultiva depois de respirar tantos dias seguidos o bafo da Marginal. Foi uma espécie de antídoto e de carregamento saudável das baterias. São Paulo, afinal, tem uma casca empoeirada, mas limpando um pouco, é possível encontrar um colo tépido e convidativo. Ainda bem.

Em tempo, a peça entra em cartaz no Sesc Ipiranga no dia 13/08 e vai até o feriado de 07 de Setembro. Recomendo!